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Ouro no CRIA PE: Os Bastidores e a Emoção do Meu Primeiro Prêmio na Publicidade

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Falar sobre o meu primeiro prêmio na área da publicidade é muito especial para mim. Quando comecei a trabalhar em um estúdio de design em 2018, o Estúdio Marota, aprendi muito por lá, pois o modelo era o mesmo de uma agência de publicidade, com diretor de arte e dupla de criação. Muito se falava sobre ter um prêmio, como um selo do Behance em um projeto, e naquele tempo eu queria muito ter algo que mostrasse que eu era bom naquilo que fazia.

O tempo passou e eu consegui um prêmio de Jovem Talento no CRIA PE 2025, a Capivarinha de Ouro. Trabalhei em dupla de criação com a Bárbara Mirely como redatora, e o Thiago Máximo sendo o nosso mentor. Fechamos um trio de criação com o Thiago fazendo um papel que ele já conhecia bem, pois foi nosso Diretor de Criação na agência Saminina. Por isso, ele foi convidado para monitorar, orientar e direcionar, sempre exigindo o nosso melhor como o designer sênior que ele é. Hoje, como um designer pleno, valorizo ainda mais esse sistema criativo de agência onde as pessoas trocam ideias, questionam as fragilidades do projeto e colaboram para tirar do papel aquela ideia maravilhosa e mirabolante que, às vezes, você tem que executar com um orçamento enxuto.

Essa categoria de Jovem Talento que tem nos festivais de criatividade existe para incentivar estudantes e jovens no mercado. A concorrência é entre eles e o tema é dado pela comissão julgadora. Geralmente não tem taxa de inscrição e você pode inscrever quantos projetos conseguir, mas lembrando que quantidade não ganha de qualidade. Quem está julgando são pessoas com carreiras consolidadas na área da criatividade, que geralmente estão em cargos de liderança ou têm reconhecimento internacional, com a opção, inclusive, de não conceder o prêmio caso os projetos não atinjam o esperado.

O prazo é curto e, às vezes, o festival apresenta um cliente que é um patrocinador. Nesse caso, estávamos livres para escolher qualquer um, podendo até ser fictício, mas buscamos um cliente real. A Bárbara encontrou a ONG Unificados POP Rua no Instagram. Fui diretamente falar com eles pela plataforma e não tive uma resposta tão rápida quanto gostaria por conta do prazo apertado. Então, entrei no grupo deles, procurei conhecer o pessoal e saber quem era a liderança, até conseguir contato com o Rafael Araújo, o presidente da Unificados (o nome se dá porque são cerca de 50 projetos unificados). Ele foi super solícito, colaborou com material, ensinando e fazendo a curadoria do que foi produzido.

O tema dado pela comissão foi: Pessoas em Situação de Rua: Conscientização e Ação Social.

O Desafio

As pessoas em situação de rua estão presentes em todas as grandes metrópoles do Brasil, e Recife não é exceção. Muitas vezes invisíveis aos olhos da sociedade, enfrentam diariamente a falta de moradia, alimentação, acesso à saúde, trabalho e dignidade.

O desafio para os estudantes é criar uma campanha de comunicação que traga luz a essa realidade, sensibilize a população e estimule órgãos públicos, empresas e cidadãos a reconhecer e agir frente a esse problema social. O estudante escolhe que ONG ou Órgão Público quer colocar como cliente.

Público-Alvo:

Sociedade em geral (para aumentar a empatia e o engajamento).

Órgãos públicos e gestores municipais/estaduais.

Organizações e movimentos sociais que apoiam pessoas em situação de rua.

Jovens e famílias de centros urbanos.

Critérios de Avaliação:

Força da Ideia – impacto criativo e emocional da mensagem.

Originalidade – novas formas de olhar e representar a questão

Pertinência Social – relevância da proposta no debate público.

Conexão Local – vínculo com o contexto de Recife e outras capitais brasileiras.

Execução – boa apresentação das peças da campanha.

Esse era o desafio em um prazo muito curto. Nós moramos no interior de Pernambuco, com exceção do Thiago, que é daqui, mas está morando em Recife. Ele topou ser nosso mentor, mesmo com outras equipes de lá o convidando para a mesma função. Fizemos chamadas de vídeo, criamos grupo no WhatsApp e foi uma troca de ideias intensa.

Fizemos dois projetos. O primeiro foi o “Ei, eu tô aqui!”, que tinha uma pegada mais publicitária de sensibilizar, trazer um olhar de humanização e chamar para o ato de solidariedade. Tinha mockups de ativações de OOH, vídeo case, apresentação para coletar feedback gravando a reação das pessoas e um trabalho ilustrativo de linhas com estilo urbano nas peças. Apesar de a ideia ser boa e de termos a preocupação de não fazer o "choque pelo choque" — direcionando para formas reais de colaborar com a conta da ONG —, era a primeira ideia. É aquela ideia clichê, a ideia mais fácil de executar, parecida com as que ganharam prata e bronze.

Durante a fase em que passei assistindo às transmissões e tirando dúvidas com o presidente do júri, Paulo Bione (que tive o prazer de conhecer pessoalmente no evento, onde ele cumprimentou e parabenizou a equipe), observei os projetos de jovens premiados no Cannes Lions que ele mostrava. Eram ideias fora da caixa, que iam na contramão do que se espera. Com muita conversa, nasceu a nossa segunda ideia, que tem muito mérito da redatora: o projeto “Quem está assistido?”.

Se você ler rápido, vai ler “Quem está assistindo?”, que é a clássica pergunta da Netflix. Mas aqui é "assistido". E quem é o assistido? É a pessoa que recebe o auxílio da ONG. Esse termo é utilizado de forma semelhante na APAE. Na época, havíamos ido pela agência para a inauguração de um novo bloco da APAE Serra Talhada-PE. Lá, a embaixadora explicou que eles preferem ser chamados de "assistidos", e o Rafael, da Unificados, usou exatamente o mesmo termo. Dessa constatação nasceu a indagação: como ter um sistema de arrecadação de doações diferente, baseado em dar e receber, gerando um sentimento de pertencimento?

Foram noites sem dormir para desenvolver esse projeto, prototipar, criar a marca, fazer a identidade visual, resolver as fragilidades, planejar a narrativa, editar o vídeo case e gravar o material de apoio. Colocamos todo o trabalho de bastidores na apresentação, com telas dos programas de edição, pesquisa e, por fim, a prancha publicitária para enviar tudo dentro do prazo (vou deixar o link do case no Behance, que tem o vídeo mostrando como o app funciona). Foi uma loucura, uma loucura que eu quero viver de novo.

Eu queria muito ganhar ao menos uma capivara de bronze por todo esse trabalho. Quando eu estava lá em Recife no festival do CRIA PE, já estava desanimado. Tinha ido com a agência, já passava do meio-dia e não tínhamos ganhado nenhum prêmio. Eu havia trabalhado ativamente nas inscrições junto com a Bárbara e participado de todas as transmissões com a comissão. Até ali, nada. Eu estava super preocupado e ansioso.

Fomos almoçar no Recife Antigo, que era bem perto, e voltamos correndo para o evento. Demorou bastante para o bloco retornar e ainda teve uma palestra antes. Quando finalmente começou a premiação dos jovens talentos e anunciaram a prata e o bronze, fiquei de cabeça baixa, triste, pois para mim já era. Eu não esperava o ouro. Estava concorrendo com estudantes de todo o estado, que tinham muito mais conexão com a capital e mais oportunidades para executar produções com relatos ou gravar um filme.

Então, o homem no palco com o microfone na mão, camisa social branca, barba semi-grisalha e um ar de comediante, começou a falar de forma embolada o nome do projeto vencedor. Eu escutei "POP". Não entendi o "CLUB", entendi "POP" e ainda faltava o "RUA" e os nossos nomes. Em um milésimo de segundo eu pensei: "Só pode ser o nosso, não tem como não ser o nosso".

Eu explodi como quem faz um gol sofrido em uma final. Gritei e levantei os braços, mas ninguém em volta tinha entendido nada. Por alguns segundos ficaram olhando para mim enquanto eu comemorava solitariamente, com aquele olhar de "por qual motivo você está comemorando?". Mas a felicidade foi maior que a vergonha. Continuei de pé, e então ele terminou: "...Rua, de Anthony Cândido, Bárbara Mirely e o Mentor Thiago Máximo".

Todo mundo da agência, que ocupava uma fileira inteira, começou a gritar, a pular e a se abraçar. A euforia foi total, parecia que tínhamos ganhado a Copa do Mundo. Foi muito emocionante. Esse prêmio tem um peso muito diferente, ele é tão especial de uma forma emocional que eu fico feliz só de falar sobre.

Naquele momento em que subi no palco, senti que todo o esforço valeu a pena. Eu estava sendo visto ali pelas grandes agências de Pernambuco e todos estavam aplaudindo. Pedi o microfone, falei para a plateia cheia o quanto aquilo era importante e agradeci à ONG. Foi uma noite maravilhosa. Várias pessoas que eu não conhecia vieram me parabenizar e elogiar. Isso me mostrou o quanto o meu trabalho fala por mim e o quanto é bom fazer algo que se gosta. Apesar dos altos e baixos, eu amo a minha profissão.

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