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Cansado de polêmicas vazias: Por que a internet precisa de pessoas falando sobre o que amam

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Se você passar dez minutos rolando o feed de qualquer rede social hoje, vai notar um padrão cansativo. A internet está cada vez menos sobre compartilhar interesses e cada vez mais sobre fabricar indignação.

Você sabe do que eu estou falando. Alguém pega um tema quente do momento e joga uma opinião extrema no ar. Não porque realmente acredita naquilo, ou porque quer promover um debate saudável, mas porque sabe que vai dividir as pessoas. Metade vai concordar ferozmente, a outra metade vai discordar com a mesma força. As duas pessoas vão começar a brigar nos comentários, e o criador do post? Fica assistindo de camarote enquanto os números de engajamento sobem e o algoritmo o recompensa por ter criado o caos.

No mercado, isso tem nome: chama-se Rage Bait (isca de raiva) ou isca de engajamento. O algoritmo não lê sentimentos, ele lê volume. Para a máquina, não importa se você está elogiando ou xingando, um comentário é só um número que mantém o usuário mais tempo com a tela aberta.

Eu tenho pensado muito sobre o impacto disso na nossa experiência como usuários e como criativos. É exaustivo. Você entra na internet querendo ver um projeto bacana, aprender algo novo sobre design ou simplesmente se inspirar, e acaba no meio de uma trincheira virtual debatendo assuntos que nem importavam para você cinco minutos atrás.

Foi exatamente esse cenário que me motivou a construir o meu próprio ecossistema. O blog, o podcast, o meu portfólio... tudo isso nasceu da necessidade de ter um espaço onde eu pudesse falar sobre as coisas que eu gosto, no meu tempo e nos meus termos. Sem precisar fabricar uma polêmica para ter alcance.

A internet precisa urgentemente de mais pessoas falando sobre o que amam. Precisamos de mais hiperfocos sendo compartilhados. Se você é apaixonado por tipografia, por edição de vídeo, por história romana ou por marcenaria, fale sobre isso. Faça isso para documentar o seu processo, para se conectar com pessoas que têm a mesma sintonia que você, e para tirar as suas ideias da gaveta.

Quando a gente cria para agradar o algoritmo ou para surfar no ódio do momento, a gente perde a nossa identidade no caminho. Mostrar o seu trabalho e falar do que você gosta pode não gerar mil comentários de pessoas brigando, mas gera algo muito mais valioso: conexões reais com pessoas que estão na mesma frequência. E, honestamente? É só isso que importa.

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